ENEM 2018 - Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
Enviada em 24/10/2024
A Constituição Federal de 1988 foi esboçada com o objetivo de delinear direitos básicos à população — como o da dignidade humana. Contudo, hodiernamente, tal postulado é deturpado mediante a manipulação do comportamento de usuários pelo controle de dados na internet, que ameaça a autonomia dos brasileiros. Acerca disso, serão analisadas a inércia estatal e a falta de debates.
A priori, a omissão governamental é um fator causador da influência de algoritmos personalizados no país. Nesse viés, conforme o contratualista Thomas Hobbes, é dever do estado garantir as medidas necessárias para o bem-estar da população. No entanto, essa premissa não tem ocorrido, tendo em vista a carência de políticas públicas capazes de instruir o consumo consciente de informações nas redes sociais, como a implantação de programas educativos voltados à verificação de notícias e informações nas escolas e universidades públicas. Assim, a falta de ação política perpetua o problema.
Ademais, o controle de informações por sistemas de algoritmos na sociedade também ocorre devido ao silenciamento. Sob essa ótica, a filósofa brasileira Djamila Ribeiro afirma que para se intervir em uma situação, antes, é preciso tirá-la da invisibilidade. Porém, o cenário nacional destoa desse pensamento, haja vista a falta de discursos que debatam sobre os prejuízos de se acreditar em qualquer conteúdo na internet. Como ilustração, durante o período eleitoral de 2022, muitas pessoas foram influenciadas por notícias falsas relacionadas aos históricos dos candidatos políticos. Dessa forma, enquanto essa nebulosidade continuar, o país continuará enfrentando um dos maiores problemas da era digital: a manipulação oriundas de controle de dados.
Por tanto, medidas interventivas são necessárias. Logo, cabe ao Estado, organização estabelecida para exercer poder político sobre o corpo social, sensibilizar a população do uso correto das redes sociais na procura por informações. Fará isso mediante a criação do programa “Educação Midiática”, que será responsável por ministrar palestras educativas sobre o tema nas instituições de ensino, a fim de que o direito prometido na Constituição seja efetivamente ofertado.