ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 08/09/2025

O cinema, desde sua criação no século XIX, consolidou-se como uma das manifestações culturais mais significativas da modernidade, capaz de entreter e estimular reflexões críticas. No entanto, no Brasil, o acesso a esse recurso ainda é restrito, o que evidencia um desafio à democratização cultural. Essa limitação decorre, sobretudo, de fatores econômicos e da concentração geográfica das salas de exibição.

Em primeiro lugar, observa-se a barreira socioeconômica. De acordo com a Agência Nacional do Cinema (ANCINE), grande parcela dos brasileiros não frequenta cinemas devido ao alto valor dos ingressos. Esse fenômeno pode ser explicado pela noção de “capital cultural”, desenvolvida por Pierre Bourdieu, segundo a qual as desigualdades de acesso a bens simbólicos reforçam disparidades sociais. Desse modo, quando apenas os grupos mais favorecidos consomem cinema, perde-se a função social dessa arte de ampliar horizontes e fomentar o pensamento crítico.

Além disso, há desigualdade territorial. Enquanto capitais e centros urbanos concentram a maioria das salas, municípios do interior carecem de infraestrutura, o que exclui parte da população do contato com a sétima arte. Essa realidade fere a Constituição Federal de 1988, que garante o direito de todos ao acesso às manifestações culturais. A ausência de investimentos públicos consistentes aprofunda tal lacuna e compromete a democratização cultural.

Portanto, é essencial que o acesso ao cinema seja ampliado. Para isso, o Ministério da Cultura, em parceria com empresas do setor audiovisual, deve subsidiar ingressos e expandir programas de desconto, por meio de incentivos fiscais, a fim de garantir a participação de famílias de baixa renda em atividades culturais. Além disso, o mesmo órgão, em conjunto com prefeituras, deve implementar projetos de cinema itinerante e digitalização de salas comunitárias, utilizando recursos do Fundo Setorial do Audiovisual, para alcançar cidades afastadas dos grandes centros. Assim, será possível transformar o cinema em um espaço de inclusão social e cidadania.