ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/09/2025

Paulo Freire, em seu livro Pedagogia do oprimido (1968), traz uma máxima “A leitura do mundo precede a leitura da palavra” mostrando que antes mesmo do advento da leitura de palavras, o mundo já era lido por intermédio cultura, ajudando a interpretar e transformar a realidade. Entretanto, a cultura tem sido negligenciada pelo poder público, que, por sua vez, tornam os cinemas e teatros locais elitizados que excluem os cidadãos em vulnerabilidade, reforçando as desigualdades, afastando a identidade e ofuscando a história.

Pierre Bourdieu, demonstra em seu livro “A Distinção: crítica social do julgamento” (1979) que as práticas culturais não são neutras, mas, na realidade marcadores de classe social, Bourdieu define capital cultural como os conhecimentos que são adquiridos durante a vida e capital econômico sendo recursos financeiros de indivíduo ou grupo. Mediante esses conceitos, pode ser observados a barreira do capital econômico no preço do ingresso, o que faz com que os cidadãos não adquiram o capital social que um filme traz consigo.

Ademais segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019, cerca de apenas 10% das cidades detinham de cinemas, fazendo com que não só a população em vulnerabilidade financeira seja afetada, mas também a população rural, que carece de um meio que possibilite o acesso às salas de cinema. A fim de mitigar as desigualdades que assolam essas populações o CineB, um projeto itinerante de exibição de cinema gratuito, leva o cinema para as comunidades, disponibilizando todos os materiais como: telão, projetor, som, cadeiras, até pipoca para o público. Até 2022, o projeto já havia alcançado cerca de 90 mil espectadores, além disso, em 2018 o CineB se atualizou, tornando-se o CineB Solar, a van do projeto tem painéis fotovoltaicos, que captam energia durante o dia, essa energia é armazenada em baterias e usada à noite para alimentar projetores e equipamentos de som.

Em suma, para que a cultura seja promovida de maneira justa são necessárias mais politicas públicas voltadas à democratização, uma medida que pode ser tomada pela ANCINE, mediante disponibilidade de Filmes nacionais em escolas públicas sendo financiados por intermédio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).