ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 13/09/2025
O cineasta francês Jean-Luc Godard afirmava que “o cinema é a verdade em 24 quadros por segundo”, ressaltando seu papel como instrumento de conhecimento e transformação social. No Brasil, entretanto, essa “verdade” não chega de maneira igualitária, pois fatores econômicos e estruturais limitam o acesso da população às salas de exibição, como o alto preço dos ingressos e a concentração das salas nas grandes cidades, que tornam o cinema elitizado e deixam muitas pessoas sem acesso à cultura cinematográfica.
Nesse contexto, o primeiro desafio é o alto preço dos ingressos. De acordo com a Agência Nacional do Cinema (Ancine), o valor médio ultrapassa em até dez vezes o que a Unesco considera acessível para consumo cultural em países em desenvolvimento. Essa elitização torna o cinema restrito a poucos, afastando-o de sua função social de inclusão cultural. Logo, políticas públicas de subsídio e programas de gratuidade parcial são indispensáveis para ampliar o acesso.
Além disso, outro ponto relevante é a concentração das salas de cinema nas regiões mais desenvolvidas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de 70% dos municípios brasileiros não possuem salas de exibição. Essa desigualdade faz com que grande parte da população, principalmente em pequenas cidades e periferias urbanas, fique sem acesso a filmes nacionais e internacionais, limitando o contato com a cultura e o lazer de qualidade. Dessa forma, projetos itinerantes, como cineclubes móveis, e a construção de salas populares em regiões carentes são estratégias essenciais para reduzir essa lacuna.
Portanto, para democratizar o acesso ao cinema, o Governo Federal, em parceria com estados, municípios e iniciativa privada, deve subsidiar ingressos, criar cinemas comunitários e itinerantes e investir em centros culturais com programação cinematográfica acessível, por meio de políticas públicas, editais de incentivo cultural e recursos financeiros provenientes de incentivos fiscais. A fim de garantir que a população de todas as regiões do país tenha acesso a filmes nacionais e internacionais, promovendo lazer, formação cultural e inclusão social. Assim, a visão de Jean-Luc Godard se concretizará, e o cinema deixará de ser um privilégio de poucos e se tornará um direito cultural acessível à todos.