ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 12/09/2025
A sétima arte, criada no século XIX, consolidou-se como importante instrumento cultural, de lazer e de formação social. No entanto, no Brasil, a democratização do acesso ao cinema ainda é um desafio persistente. Nesse contexto, Pierre Bourdieu, ao abordar a noção de capital cultural, destaca que o acesso a bens simbólicos, como o cinema, não é igualmente distribuído, o que aprofunda desigualdades sociais. Assim, observa-se que a dificuldade de democratizar o cinema no país está atrelada, principalmente, à concentração geográfica das salas de exibição e à elitização do consumo cultural.
Em uma primeira análise, é notável que a concentração geográfica das salas de cinema limita o acesso da população, sobretudo em regiões periféricas e no interior. De acordo com dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), a maioria das salas brasileiras está localizada em centros urbanos de médio e grande porte, restringindo o acesso daqueles que vivem em áreas afastadas. Tal situação evidencia uma desigualdade espacial no direito ao lazer e à cultura. Nesse viés, o pensamento de Milton Santos, geógrafo brasileiro, é pertinente ao considerar que o espaço é resultado de relações sociais, e sua organização pode reforçar exclusões.
Em uma segunda ótica, podemos citar a elitização do consumo cultural, visto que o alto preço dos ingressos, somado a transporte e alimentação, impede muitas pessoas de frequentar o cinema. Pesquisa do IBGE revela que 46% dos brasileiros nunca foram a uma sala de exibição, principalmente por razões econômicas. Esse cenário confirma a análise de Darcy Ribeiro, para quem a desigualdade estrutural do país cria barreiras à educação e à cultura, tornando o cinema privilégio das classes mais altas.
Portanto, é essencial ampliar o acesso ao cinema no Brasil. Para isso, o Ministério da Cultura, em parceria com estados e municípios, deve criar salas públicas e itinerantes em escolas e praças, financiadas pelo Fundo Setorial do Audiovisual. Além disso, empresas privadas devem receber incentivos fiscais para ofertar ingressos a preços populares. Essas medidas, ao descentralizar as exibições e reduzir custos, ampliarão não só a inclusão cultural, mas também a cidadania.