ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/09/2025

Aristóteles, grande pensador da Antiguidade, defendia a importância do conhecimento para a obtenção da plenitude da essência humana. Para o filósofo, sem a razão e a sabedoria, nada separa a espécie humana do restante dos animais. Nesse contexto, ao presenciar a dificuldade da democratização do acesso ao cinema no Brasil, vê-se que o princípio aristotélico não é alcançado, na medida em que a desigualdade socioeconômica e a concentração de salas em grandes centros urbanos ainda são fatores que potencializam essa problemática social e, infelizmente, dificultam a construção de um ambiente cultural mais igualitário. Inicialmente, é notório que a desigualdade socioeconômica está relacionada a um problema estrutural. Nesse sentido, muitas famílias não possuem condições financeiras para custear ingressos de cinema, cujo preço é, frequentemente, inacessível para camadas populares. Tal conjuntura, de acordo com Kant, é análoga à “menoridade intelectual”, na qual se caracteriza a falta de autonomia dos indivíduos sobre seus intelectos. Nesse raciocínio, ao observar a exclusão social no acesso ao cinema, percebe-se que o cidadão, incapaz de assumir uma postura crítica e reflexiva diante das obras cinematográficas, torna-se refém dessa “menoridade”, o que reforça a desigualdade cultural e banaliza essa realidade. democratização do acesso. Conforme Bauman, instituições como o Estado tornam-se “zumbis” ao não cumprir eficazmente seu papel, o que se reflete na falta de políticas que ampliem cinemas em regiões periféricas. Dessa forma, o acesso cultural permanece restrito e as desigualdades, reforçadas. Portanto, é crucial reverter o quadro atual. Para que o acesso ao cinema seja, de fato, democratizado, o Ministério da Cultura precisa investir na ampliação de salas em cidades periféricas e interioranas. A par desse raciocínio, isso deve ser realizado por meio de parcerias público-privadas que garantam a redução do preço dos ingressos e projetos itinerantes de cinema comunitário, com sessões gratuitas em praças públicas. Dessa forma, a população será capaz de sair da “menoridade intelectual” e, felizmente, concretizar os ideais aristotélicos, tornando o cinema um direito cultural acessível a todos.