ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 10/09/2025
A Constituição Federal, promulgada em 1988, prevê para todos os cidadãos o direito à cultura e ao lazer. Entretanto, na prática, essa garantia é deturpada, visto que a desigualdade no acesso ao cinema ainda é uma realidade no Brasil. Tal cenário ocorre tanto pela negligência governamental quanto pela falta de debate público sobre a importância do audiovisual.
É fulcral pontuar que o problema deriva da baixa atuação dos setores governamentais no que tange à criação de mecanismos que coíbam a concentração das salas de cinema em grandes centros urbanos. Segundo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Contudo, isso não ocorre no Brasil devido à falta de atuação estatal na interiorização e incentivo à abertura de salas em cidades menores, o que perpetua a exclusão cultural e limita o acesso da população ao cinema. Logo, faz-se mister a reformulação dessa postura.
Além disso, é imperativo ressaltar que a falta de debate impulsiona a desvalorização do cinema nacional. Nesse sentido, Habermas afirma que a linguagem é uma forma de ação. Desse modo, para que a baixa representatividade do cinema brasileiro seja superada, é necessário debater sobre políticas de fomento e valorização da produção nacional. Assim, trazer à pauta a democratização do cinema e discuti-la amplamente aumentaria as chances de atuação eficaz.
Portanto, torna-se essencial mitigar os obstáculos ligados à democratização do acesso ao cinema. Compete ao Ministério da Cultura incentivar a produção e circulação cultural, implementar políticas que reduzam os preços dos ingressos e ampliem salas populares, bem como promover campanhas de valorização do cinema nacional. Essas ações, realizadas por meio de parcerias público-privadas e projetos educativos, visam à inclusão cultural da população. Assim, almeja-se que o cinema deixe de ser privilégio de poucos e se torne um direito efetivamente garantido.