ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 12/09/2025
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à cultura e ao bem-estar social. Contudo, a falta de democratização do acesso ao cinema no Brasil impossibilita que grande parte da população usufrua plenamente desse direito universal na prática. Nessa perspectiva, tais desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade culturalmente integrada seja alcançada.
A cultura é fator essencial para o desenvolvimento humano e social. O cinema, em especial, constitui um meio de difusão de conhecimento, lazer e reflexão crítica. Hodiernamente, entretanto, observa-se que, apesar da relevância da sétima arte, o acesso a ela ainda está restrito principalmente às classes mais favorecidas. O alto preço dos ingressos e a concentração das salas em regiões centrais configuram barreiras que limitam a participação da população de baixa renda, realidade que se reflete na exclusão cultural e educacional de milhões de brasileiros. Segundo dados da Agência Nacional do Cinema (ANCINE), grande parte dos municípios sequer possui uma sala de exibição. Diante do exposto, é notório que essa desigualdade cultural deve ser enfrentada.
Além disso, a desigualdade socioeconômica e a ausência de políticas públicas efetivas atuam como agravantes do problema. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a fragilidade nas relações sociais e políticas caracteriza a chamada “modernidade líquida”, na qual bens culturais, como o cinema, tornam-se privilégios em vez de direitos. Nesse contexto, a lógica de mercado prevalece sobre a democratização cultural, perpetuando a exclusão social e a falta de acesso à sétima arte em diversas regiões do país.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves significativos para a garantia do direito à cultura no Brasil. Dessa forma, é necessário que o governo federal, em parceria com estados e municípios, amplie investimentos na construção de salas públicas de cinema em regiões periféricas e cidades pequenas. Além disso, deve incentivar projetos itinerantes de exibição em espaços comunitários e firmar parcerias com escolas por meio de programas culturais subsidiados. Essas medidas ampliarão o acesso e garantirão a democratização do cinema.