ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/09/2025

No filme Cinema Paradiso (1988), de Giuseppe Tornatore, a história de um jovem que cresce apaixonado pela sétima arte evidencia o poder do cinema de transformar vidas, inspirar sonhos e unir comunidades. No entanto, no Brasil, o acesso às salas de cinema ainda é um privilégio restrito a certas camadas sociais e regiões. Essa limitação cultural gera desigualdade de oportunidades e impede que grande parte da população desfrute de uma experiência que pode ser formadora de senso crítico e identidade cultural.

Sob a ótica de Pierre Bourdieu, sociólogo francês, o capital cultural é um fator determinante para a ascensão social e intelectual dos indivíduos. O cinema, ao proporcionar contato com narrativas diversas e discussões sociais, contribui para esse capital. A ausência de políticas públicas que incentivem o acesso universal ao cinema acaba perpetuando um ciclo de exclusão, no qual apenas os grupos com maior poder aquisitivo conseguem consumir e discutir produções cinematográficas de relevância cultural.

De acordo com dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), cerca de 70% dos municípios brasileiros não possuem salas de exibição. Essa realidade revela uma concentração de cinemas nas regiões mais desenvolvidas, principalmente em shoppings de grandes cidades, tornando difícil para pessoas de baixa renda ou que vivem no interior ter contato com essa forma de arte. Além disso, os altos preços dos ingressos e a falta de incentivos governamentais agravam o problema.