ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/09/2025

Desde sua criação no século XIX, o cinema consolidou-se como uma das principais formas de expressão cultural, capaz de registrar realidades, contar histórias e promover reflexões coletivas. No Brasil, entretanto, o acesso a esse bem cultural permanece restrito e desigual, marcado por concentração geográfica e barreiras econômicas. Tal cenário compromete a democratização do cinema, que deveria atuar como instrumento de inclusão social e difusão cultural.

Em primeiro lugar, a concentração de salas de cinema nas áreas de maior renda das grandes cidades aprofunda as desigualdades regionais. Enquanto em países desenvolvidos a proporção de habitantes por sala é menor, o Brasil ocupa apenas a 60ª posição mundial, segundo a Agência Nacional do Cinema. Isso significa que populações do Norte, Nordeste e cidades pequenas ainda permanecem excluídas do universo cinematográfico, tendo como alternativa quase exclusiva a televisão e o streaming, que não substituem integralmente a experiência coletiva da sala escura.

Além disso, o cinema tem papel formador na construção da identidade nacional e no estímulo ao pensamento crítico. O filósofo Edgar Morin afirma que a sétima arte solicita a participação ativa do espectador, ampliando sua compreensão da realidade. Assim, ao negar o acesso de grande parcela da população, o país restringe também o direito à cultura e à educação estética, previstos na Constituição de 1988. A democratização do cinema, portanto, é condição para assegurar a pluralidade cultural e a cidadania plena.

Portanto, a ampliação do acesso ao cinema no Brasil exige medidas efetivas. O poder público, em parceria com a iniciativa privada, deve investir em políticas de incentivo à construção de salas em regiões periféricas e cidades médias, além de fomentar projetos itinerantes que levem sessões gratuitas a comunidades afastadas. Ademais, é necessário garantir preços acessíveis por meio de subsídios e parcerias com escolas, assegurando a formação de novos públicos. Dessa forma, será possível transformar o cinema em um patrimônio verdadeiramente democrático, acessível a todos os brasileiros.