ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/09/2025

O filósofo francês Edgar Morin defende que o cinema é uma das formas mais eficazes de transmitir valores, ideias e identidades coletivas. No entanto, no Brasil, o acesso a essa manifestação artística ainda é limitado, o que revela um entrave à democratização cultural. A concentração de salas em regiões específicas, somada ao alto custo dos ingressos, dificulta que a maior parte da população participe desse espaço de fruição artística, o que gera desigualdades no consumo cultural.

Em primeiro lugar, observa-se que a distribuição de salas de cinema no país é extremamente desigual. Enquanto capitais e grandes centros concentram a maior parte das unidades, diversas cidades do interior sequer possuem um espaço de exibição. Essa realidade priva milhões de brasileiros do contato com uma forma de arte que, além de entreter, contribui para a formação crítica e cidadã, já que muitos filmes retratam problemas sociais relevantes.

Outro fator que restringe o acesso é o preço elevado dos ingressos. Para famílias de baixa renda, o custo de um passeio ao cinema, somado a gastos adicionais, torna-se inviável. Embora as plataformas de streaming tenham ampliado o contato com produções audiovisuais, elas não substituem totalmente a experiência coletiva das salas e ainda enfrentam a barreira da exclusão digital, já que parte da população carece de internet de qualidade ou aparelhos adequados.

Dessa forma, torna-se indispensável que o governo federal, em parceria com estados e municípios, amplie projetos de exibição gratuita em espaços públicos, crie incentivos fiscais para a abertura de salas em cidades menores e fortaleça o financiamento à produção nacional. Ademais, escolas podem incluir o cinema em atividades pedagógicas, estimulando a educação audiovisual desde cedo. Assim, será possível democratizar o acesso a essa forma de arte e garantir que ela cumpra seu papel social de difusor cultural e instrumento de reflexão.