ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 11/09/2025
O cinema é uma das manifestações artísticas mais influentes, capaz de informar, educar e entreter. Visto que, segundo a Constituição Federal (art. 215), o Estado garante o direito de acesso à cultura para todos. No entanto, no Brasil, o acesso a esse bem cultural ainda é desigual, seja por questões geográficas, econômicas ou estruturais. Por isso, é importante superar entraves como a desigualdade regional e a falta de incentivo público para que não sustente a exclusão cultural cinematográfica.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que a disparidade regional gera inacesso e, consequentemente a desvalorização do cinema nacional. Uma vez que grande parte das salas de cinema está concentrada em regiões urbanas e no Sudeste, enquanto cidades pequenas e o interior muitas vezes não têm nenhuma. Com base nos dados da Agência Nacional do Cinema (ANCINE), indica que cerca de 43% dos cinemas do país estão no eixo Rio-SP. Além disso, ingressos, transporte e alimentação encarecem a ida ao cinema, afastando populações de baixa renda.
Outrossim, a privação do incentivo público fortalece essa desigualdade tanto regional quanto econômica. Conforme aponta o sociólogo Pierre Bourdieu, a desigualdade social não se manifesta apenas em termos econômicos, mas também pela posse diferenciada de capital cultural. A partir disso, as classes mais altas têm a chance de assistir aos filmes mais recentes, participar de discussões e ampliar seu repertório cultural. Em contrapartida, as classes mais baixas, sem acesso ao cinema, são privadas dessa oportunidade, perpetuando o ciclo da desigualdade social. Dessa forma, é preciso descentralizar o monopólio das redes de cinema.
Portanto, o Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, pode criar programas de salas populares em regiões periféricas, com ingressos a preços acessíveis, para ampliar o alcance da sétima arte, ou até mesmo promover cineclubes itinerantes para garantir acesso gratuito e formação crítica. Além disso, Empresas privadas devem enviar incentivos fiscais, investindo em plataformas de streaming gratuitas e de baixo custo para estudantes, a fim de ampliar o contato com o cinema nacional. Somente assim, o cinema deixará de ser um instrumento de classes e se tornará um direito de todos.