ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 10/09/2025
No século XX, o educador Paulo Freire defendia que a educação deve ser libertadora, isto é, capaz de ampliar a consciência crítica dos indivíduos. Nessa perspectiva, o cinema, enquanto expressão cultural e artística, pode cumprir papel semelhante ao permitir que a população reflita sobre realidades diversas e compreenda melhor a sociedade em que vive. No entanto, no Brasil, o acesso a essa manifestação cultural ainda se mostra limitado, principalmente em razão da desigualdade socioeconômica e da concentração espacial das salas de exibição.
Em primeiro lugar, a concentração de cinemas em áreas centrais de grandes cidades reforça a exclusão cultural de comunidades periféricas e municípios menores. Dados da Agência Nacional do Cinema (ANCINE) revelam que boa parte dos municípios brasileiros sequer possui salas de exibição. Esse quadro promove um desequilíbrio no direito à cultura, previsto na Constituição de 1988, ao restringir o acesso de parte significativa da população a uma importante forma de lazer e aprendizado. Assim, perpetua-se uma desigualdade que vai além do campo econômico e atinge a esfera simbólica da cidadania.
Outro aspecto relevante é o fator financeiro. O preço elevado dos ingressos e da alimentação oferecida nas salas torna o cinema inacessível para famílias de baixa renda. Isso contrasta com o ideal do filósofo grego Aristóteles, que via a arte como elemento central para a formação ética do cidadão. Quando apenas uma parcela da sociedade usufrui desse bem, limita-se a função social da arte e reduz-se o potencial do cinema de formar espectadores críticos e participativos.
Diante desse contexto, é necessário que o Estado promova políticas de incentivo à expansão de salas de cinema em regiões carentes e subsidie projetos itinerantes de exibição gratuita, especialmente em escolas públicas e centros comunitários. Ademais, parcerias com plataformas digitais poderiam facilitar o acesso remoto a produções nacionais e estrangeiras, garantindo maior inclusão cultural. Com isso, o cinema se tornaria efetivamente um instrumento de democratização, capaz de integrar os cidadãos e de estimular o pensamento crítico em todo o país.