ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 10/09/2025

O cinema, como expressão artística e espaço formativo, constitui ferramenta de democratização cultural no Brasil. Seu acesso, contudo, permanece desigual, especialmente entre áreas urbanas e rurais, além de regiões historicamente excluídas. A urgência de promover o direito à cultura — assegurado pelo Art. 27 da Declaração Universal dos Direitos Humanos — justifica políticas públicas voltadas à descentralização e à acessibilidade no setor cinematográfico.

Nos últimos anos, o país teve expressiva recuperação no número de salas de cinema. Em 1º de janeiro de 2025, o Brasil contava com 3.509 salas em funcionamento, superando o recorde pré-pandemia de 2019 e impulsionando a interiorização do setor, inclusive em municípios sem cinemas há décadas, como Monte Carmelo (MG), Miracema (RJ) e Viçosa (AL). Ainda assim, 46% da população brasileira não tem acesso direto a cinema na sua cidade .

Além da expansão física, o público frequentador também teve crescimento: em 2024, mais de 121 milhões de pessoas foram ao cinema, e o público de produções nacionais dobrou em relação ao ano anterior . Essa trajetória positiva se acentuou em 2025, com 70% de recuperação do público em relação a 2019, superando a média global de 67,7% .

Apesar dos avanços quantitativos, segue vigente o desafio da desigualdade de acesso. Por exemplo, apenas 57% dos cariocas frequentaram cinema no último ano — e a média das demais capitais é de 48%. Algumas capitais nordestinas, como Aracaju e Maceió, apresentam índices inferiores, evidenciando regiões em que o cinema permanece ainda distante da população.

Diante desse cenário, a proposta de democratização deve combinar expansão estrutural, políticas de incentivo à produção nacional e garantias de acessibilidade. Isso implica: Incentivos fiscais e linhas de crédito, Programas itinerantes e cineclubes comunitários, Políticas de preço e subsídios entre outros.

Somente com essas ações integradas será possível transformar o cinema em espaço de vivência cultural democrática, romovendo identidade, pluralidade e pertencimento, alinhado ao princípio constitucional de que cultura é um direito de todos.