ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 11/09/2025

De acordo com o filósofo grego Aristóteles, o ser humano é um ‘animal político’, isto é, um indivíduo que constrói sua identidade e seus valores em sociedade por meio da convivência e da cultura. Nessa perspectiva, o cinema se configura como uma importante ferramenta cultural, pois possibilita ao público o contato com diferentes visões de mundo, narrativas e realidades sociais, estimulando a reflexão coletiva. No entanto, no Brasil, o acesso a essa forma de arte ainda encontra barreiras, sobretudo econômicas e estruturais, que limitam sua democratização.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que o cinema dialoga com uma elementar necessidade social. Produções nacionais como Ainda Estou Aqui e Tropa de Elite, por exemplo, retratam diferentes aspectos da realidade brasileira, desde dramas íntimos até problemáticas sociais, aproximando os espectadores de suas próprias vivências. Ademais, a atuação de nomes consagrados, como Leandro Hassum e Fernanda Torres, fortalece esse potencial de identificação e entretenimento. É perceptível, portanto, o louvável elemento benfeitor dessa criação artística, capaz de garantir a coesão da comunidade.

Em segundo lugar, cabe destacar que o cinema, como bem cultural garantido pelo artigo 215 da Constituição Federal, deveria ser acessível a todos. Contudo, pesquisas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) mostram que sua distribuição é desigual, concentrada em poucos municípios, o que impede grande parte da população de ter acesso às produções nacionais e à valorização da identidade cultural. Esse descumprimento da lei reflete a crítica de Dante Alighieri, em A Divina Comédia: “As leis existem, mas quem as aplica?”.