ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 12/09/2025
Desde a invenção do cinematógrafo pelos irmãos Lumière, no século XIX, o cinema consolidou-se como uma das principais expressões artísticas do mundo. No Brasil, entretanto, esse recurso cultural, que deveria ser de amplo acesso, ainda enfrenta barreiras que dificultam sua democratização. Entre os principais fatores estão o alto custo dos ingressos e a concentração de salas em grandes centros urbanos, aspectos que reforçam a desigualdade social e regional do país
Em primeiro lugar, é importante destacar o entrave econômico. Segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine), o preço médio do ingresso no Brasil representa uma parcela significativa do salário mínimo, o que inviabiliza o acesso de famílias de baixa renda. Esse problema se agrava porque o lazer costuma ser a primeira despesa cortada em situações de crise financeira, tornando a ida ao cinema um privilégio. Dessa forma, a sétima arte, que deveria ser um direito cultural universal, acaba restrita a uma minoria, cenário que é reforçado pela falta de políticas públicas eficazes de subsídio ou de programas permanentes de ingresso popular.
Além disso, há um desafio estrutural. A maior parte das salas de cinema está situada em shoppings de capitais e regiões metropolitanas, deixando cidades pequenas e áreas periféricas à margem dessa forma de lazer. Ademais, observa-se a predominância de filmes estrangeiros, em detrimento de produções nacionais, o que limita a valorização da identidade cultural brasileira e restringe o contato do público com narrativas locais.
Diante desse cenário, faz-se necessária uma ação conjunta. O Estado, por meio de políticas públicas, deve oferecer incentivos fiscais para a construção de salas em regiões carentes e apoiar projetos de cinema itinerante. A escola, como agente formador, pode promover sessões educativas e parcerias com plataformas de streaming a preços acessíveis. Por sua vez, a iniciativa privada deve investir em programas de ingressos populares, garantindo que diferentes estratos sociais tenham contato com a sétima arte. Tais medidas contribuiriam para a efetiva democratização do cinema, fortalecendo a cidadania cultural e reduzindo desigualdades históricas.