ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 09/09/2025

Na contemporaneidade, o cinema se consolidou como uma das principais formas de difusão cultural e de promoção da reflexão social. Nesse sentido, o cineasta francês Jean-Luc Godard afirmava que “o cinema é a verdade 24 vezes por segundo”, ideia que evidencia o potencial transformador dessa manifestação artística. Contudo, no Brasil, o acesso às produções cinematográficas ainda é restrito, sobretudo pela concentração de salas em grandes centros urbanos e pela fragilidade de políticas públicas destinadas ao setor.

Diante desse cenário, a desigualdade geográfica constitui um entrave à universalização do cinema. Segundo a Agência Nacional do Cinema (ANCINE, 2019), mais da metade dos municípios brasileiros não possui nenhuma sala em funcionamento. Tal dado revela a exclusão cultural de populações periféricas e interioranas, o que fragiliza o direito à cultura previsto na Constituição Federal de 1988 e compromete a formação crítica da cidadania, já que priva grande parcela da sociedade do contato com produções diversas.

Além disso, a carência de políticas públicas voltadas ao audiovisual intensifica o problema. O educador Paulo Freire defendia que a cultura é essencial para a emancipação do indivíduo. No entanto, a descontinuidade de programas como o “Cinema Perto de Você” demonstra a negligência estatal em ampliar o alcance cultural. Como consequência, grande parte da população se vê limitada a conteúdos hegemônicos, muitas vezes de origem estrangeira, disponíveis em plataformas privadas de streaming, o que enfraquece a diversidade artística nacional.

Torna-se evidente, portanto, que a democratização do acesso ao cinema é urgente. Para enfrentar essa questão, cabe ao Ministério da Cultura, em parceria com governos estaduais e municipais, criar programas de incentivo à abertura de salas públicas e itinerantes em regiões periféricas e interioranas. Essa medida deve ocorrer por meio da adaptação de escolas e centros comunitários e contar com profissionais da área audiovisual, com o objetivo de descentralizar a produção cultural e formar cidadãos mais críticos e inclusivos.