ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 13/09/2025

Em meados do século XIX, mais precisamente no dia 28 de dezembro de 1895, os irmãos franceses Auguste e Louis Lumière realizaram a primeira exibição pública cinematográfica. Entretanto, eles não tinham perspectiva da proporção que isso tomaria, sendo, assim, um marco para tantas gerações como meio de transmissão da história e da cultura. Entretanto, o cinema não é algo que está disponível para todos, e é evidente que essa problemática deriva do acesso econômico e do espaço geográfico.

Em primeiro plano, é lícito postular a ausência de medidas governamentais para combater a dificuldade de acesso econômico às salas de cinema do Brasil. Sob a perspectiva do filósofo São Tomás de Aquino, em uma sociedade democrática, todos os indivíduos são dignos e têm a mesma importância, além dos direitos e deveres que devem ser garantidos pelo Estado. Entretanto, isso não ocorre no Brasil. Nesse sentido, por causa da baixa operação das autoridades e da busca por sempre obter lucro, infelizmente um ingresso de cinema tem atingido preços que uma família de baixa renda não tem como adquirir, excluindo-os dessa experiência. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal com urgência.

Ademais, o espaço geográfico também pode ser apontado como promotor do problema. No filme Narradores de Javé, há uma cena em que a Igreja exibe o filme A Paixão de Cristo, o que evidencia a dificuldade de levar entretenimento a determinados grupos sociais, já que o espaço religioso passa a suprir a ausência de políticas públicas de lazer e cultura. Partindo desse pressuposto, percebe-se que isso ocorre porque as salas de cinema estão concentradas nos grandes centros, excluindo populações periféricas e interioranas e tornando a cultura um privilégio de poucos.

Portanto, é essencial a atuação estatal e social para que tais obstáculos sejam superados. Assim, o governo deve direcionar capital que, por intermédio do Conselho Nacional dos Direitos Humanos, será revertido em acesso ao cinema, por meio de preços acessíveis e eventos gratuitos com filmes exibidos para o público, com o objetivo de que todos tenham direito de participar de um momento de importância cultural. Dessa forma, construir-se-a um Brasil mais democrático.