ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/09/2025

Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, o acesso à cultura está condicionado ao capital cultural e econômico dos indivíduos. No Brasil, essa teoria se reflete na dificuldade da população em ter acesso ao cinema, que configura-se como uma das principais formas de acesso à cultura, em âmbito mundial. Entre os fatores que contribuem para isso, destaca-se a infraestrutura visto que muitas cidades pequenas e regiões periféricas carecem de cinemas, limitando o acesso ao público. Além do preço elevado dos ingressos restringe o acesso ao cinema, tornando-o um luxo para poucos.

Um dos principais fatores que contribuem para a perpetuação da carencia de cinemas em cidades interioranas e zonas periféricas decorre da concentração das salas em centros urbanos e shoppings e dos altos custos de infraestrutura e manutenção que tornam inviável a expansão para essas áreas. gerando exclusão de grande parte da população ao acesso ao cinema como expressão cultural. Ademais segundo o Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC), em 39,9% dos brasileiros vivem em municípios sem nenhuma sala de cinema. Assim, evidencia-se a desigualdade no acesso à cultura.

Ademais, o elevado custo dos ingressos de cinema configura-se como um dos principais obstáculos à democratização da sétima arte no Brasil, ao restringir o acesso às camadas com maior poder aquisitivo. Em um país marcado por desigualdades socioeconômicas, muitas famílias não incluem o cinema no orçamento já que o gasto envolve também transporte e consumo no local. Segundo o Procon de Campo Grande (MS), os valores variam de R$ 18,00 a R$ 42,00 uma diferença de até 133%. Como consequência, muitos deixam de frequentar os cinemas regionais, evidenciando a elitização do acesso cultural.

Por tanto, é nescessario que sejam criadas campanhas de incentivo ao cinema nacional e local pelo Ministério da Cultura e escolas públicas, por meio de campanhas e atividades extracurriculares, e o investimento público em cultura nas periferias e no interior, agenciadas pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura a partir da reativação de programas como o “Cine Mais Cultura”, afim de levar salas de cinema a regiões desassistidas.