ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 09/09/2025

Desde a invenção dos irmãos Lumière, no século XIX, o cinema tornou-se importante instrumento de expressão cultural e social. No Brasil, porém, esse acesso ainda é desigual: de um lado, a concentração das salas em áreas privilegiadas; de outro, o alto preço dos ingressos que restringe parte da população. Assim, a democratização do cinema enfrenta barreiras estruturais que necessitam de superação, ligadas tanto à desigualdade espacial quanto ao poder aquisitivo.

Nessa lógica, o geógrafo Milton Santos discute a “cidadania mutilada” em sociedades desiguais, conceito aplicável ao cinema, já que a maioria das salas se localiza em shoppings de grandes centros urbanos, distantes das periferias. Como resultado, a população de menor renda fica afastada de um bem cultural essencial, o que amplia desigualdades e limita a formação crítica e identitária desses grupos.

Além disso, segundo Pierre Bourdieu, o “capital cultural” é distribuído de forma desigual, o que explica a exclusão causada pelos altos preços do cinema. Ingressos e produtos vendidos nas salas tornam-se inacessíveis a famílias de baixa renda, restringindo a arte a um público específico. Dessa forma, em vez de promover inclusão cultural, o cinema permanece como privilégio de poucos.

Portanto, é necessário que o Ministério da Cultura, em parceria com governos locais, fomente cineclubes e projetos itinerantes em comunidades carentes. Paralelamente, empresas exibidoras podem oferecer sessões gratuitas ou de baixo custo em escolas e praças públicas. Com tais medidas, garante-se maior acesso à sétima arte, fortalecendo a cidadania cultural e reduzindo desigualdades sociais.