ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/09/2025

Segundo Jean-Paul Sartre em sua teoria sobre a “Acomodação Social”, existem assuntos silenciados socialmente. Pode-se relacionar tal premissa ao contexto dos desafios enfrentados para garantir a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas a negligência estatal e a indvidualismo.

Nota-se, a princípio, que na sociedade brasileira - existe um descaso governamental em relação democratização do acesso ao cinema no Brasil. Nesse contexto, no livro “Cidadão de Papel”, verifica-se a materialização de que os direitos previstos na Constituição Federal de 1988 não são garantidos a todos os brasileiros na prática. Esse fato é demonstrado mediante a falta de campanhas informativas que abordem a importância do acesso a cultura para pessoas que residem em regiões carentes, além da escassez de políticas públicas que facilitem este acesso e que diminuam a distância entre essa parte da população e a cultura. Logo, essas pessoas muitas vezes sofrem com a falta de infraestrutura, longas distâncias dificultando o acesso ao cinema e o alto custo de ingressos em algumas regiões.

Além disso, o individualismo existente em grande parte da sociedade pode ser evidenciado como um problema que impede a efetivação da democratização do acesso ao cinema no Brasil. Desse modo, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, o ser humano líquido adotou uma maneira individualista de pensar, pois essa nova sociedade que se preocupa apenas com suas questões - impede a sociabilidade entre as pessoas. Relaciona-se tal premissa, por exemplo, à falta de reflexão acerca da importância do acesso cultural a todos os cidadãos, para o fortalecimento de debates de ideias e a formação de uma visão mais crítica da sociedade.

Diante desse cenário, cabe ao Estado investir uma maior parte do PIB para garantir o acesso cultural à população e evidenciar o seu impacto na sociedade. Isso deve ser feito por meio de campanhas que aproximem o cinema às pessoas mais carentes, através de iniciativas como festivais e mostras em comunidades, além de ofertas de ingressos com preço reduzido ou gratuito, desse modo facilitando o acesso ao cinema. Tal ação tem a finalidade de remediar a negligência estatal e o individualismo, contrapondo o elucidado no livro “Cidadão de Papel”.