ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/09/2025

O cinema é uma das expressões artísticas mais potentes na construção da identidade cultural de um país. No Brasil, desde o surgimento da Embrafilme, em 1969, e posteriormente com a criação da Agência Nacional do Cinema (Ancine), buscou-se fomentar a produção audiovisual nacional. Contudo, apesar da relevância desse setor para a memória coletiva, o acesso da população às produções cinematográficas ainda é bastante desigual. Tal problemática decorre, sobretudo, da concentração das salas em grandes centros urbanos e da elitização do consumo cultural.

Em primeiro lugar, a concentração da infraestrutura limita o alcance do cinema. Segundo dados do IBGE, mais da metade dos municípios brasileiros não possui salas de exibição, o que evidencia a centralização em regiões mais desenvolvidas. Esse cenário reforça desigualdades históricas, visto que moradores de áreas periféricas e cidades do interior têm contato restrito com a sétima arte. Um exemplo positivo de superação dessa barreira foi o projeto “Cinema na Praça”, promovido em estados como Goiás, que leva sessões gratuitas a comunidades afastadas, demonstrando a eficácia de políticas que descentralizam o acesso.

Além disso, o cinema no Brasil enfrenta um processo de elitização, resultado dos altos preços dos ingressos e da predominância de filmes estrangeiros nas grandes redes. De acordo com a Ancine, apenas 20% das produções exibidas nas salas comerciais são nacionais, o que dificulta a valorização do cinema brasileiro. Essa realidade contrasta com o pensamento do educador Paulo Freire, que defendia a importância de tornar os bens culturais acessíveis a todos como forma de inclusão social. Assim, a lógica mercadológica impede que o cinema cumpra plenamente seu papel formador e democrático. Portanto, a democratização do acesso ao cinema no Brasil exige políticas públicas de descentralização e inclusão. Para tanto, o Ministério da Cultura, em parceria com a Ancine, deve ampliar projetos itinerantes de exibição gratuita e criar incentivos fiscais que reduzam o preço dos ingressos. Com isso, será possível valorizar a produção nacional e garantir que o cinema cumpra sua função de integrar e educar a sociedade brasileira.