ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 13/09/2025

O cineasta francês Georges Méliès, considerado um dos pais do cinema, defendia essa arte como um meio de encantar e educar, ampliando a imaginação coletiva. No Brasil, entretanto, essa função social e cultural do cinema ainda não é plenamente cumprida, pois o acesso a ele permanece restrito a determinadas camadas da população. Essa realidade reforça desigualdades e limita a fruição de uma manifestação artística capaz de formar identidades e estimular a reflexão crítica.

Sob essa perspectiva, vale lembrar o pensamento do antropólogo Darcy Ribeiro, que defendia a cultura como elemento central para a formação da identidade nacional. No entanto, a realidade brasileira mostra-se contrária a essa visão: grande parte dos municípios sequer possui salas de exibição, e os preços elevados dos ingressos tornam inviável a ida ao cinema para camadas economicamente vulneráveis. Dessa forma, cria-se um ciclo de exclusão no qual apenas uma parcela da sociedade tem acesso a produções nacionais e internacionais que contribuem para a construção crítica do indivíduo.

Além disso, obras cinematográficas podem ser instrumentos de transformação social e educação. Filmes como Que Horas Ela Volta? (2015), de Anna Muylaert, abordam desigualdades brasileiras e estimulam reflexões sobre o cotidiano da população. No entanto, sem políticas que garantam acesso amplo, esses conteúdos permanecem restritos, o que compromete a democratização cultural. A concentração das salas em grandes centros urbanos evidencia uma lógica de mercado que privilegia o lucro em detrimento da função social do cinema.

Diante desse quadro, portanto, o Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério da Educação, deve implementar o programa “Cinema para Todos”, que consistirá na instalação de salas públicas em escolas e centros culturais, com exibições gratuitas ou a preços populares. Além disso, parcerias com produtoras e plataformas de streaming devem ser incentivadas, garantindo que filmes nacionais e internacionais cheguem a regiões periféricas e cidades do interior. Isso com o objetivo de ampliar a visão crítica e promover a inclusão artística no Brasil.