ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 13/09/2025

“Ensaio sobre a cegueira”, romance de Saramago, retrata a invisibilização de certos problemas na sociedade metaforizados pela cegueira branca. Na realidade brasileira, a crítica do autor é verificada na falta de democratização do acesso ao cinema, visto que essa condição é afetada por fatores negativos, mas, sobretudo, pela “cegueira” sobre o papel da arte como instrumento de transformação social. Diante desse cenário, é fundamental compreender como a manipulação midiática e a desigualdade socioeconômica contribuem para a intensificação do problema.

Em uma primeira análise, a manipulação midiática dificulta a democratização do cinema no Brasil. Nesse sentido, o filósofo Zygmunt Bauman, ao discutir a “modernidade líquida”, afirma que as relações sociais se tornaram frágeis e voláteis, favorecendo a superficialidade das interações. Sob essa óptica, percebe-se que os meios de comunicação priorizam o cinema comercial, em detrimento de produções independentes e regionais. Assim, limita-se o contato da população com a diversidade cultural nacional, o que compromete a valorização do cinema como expressão plural.

Outrossim, salienta-se que a desigualdade socioeconômica é outro fator agravante da problemática. No Brasil, o alto custo dos ingressos e a concentração de salas em regiões centrais impedem que grande parte da população, sobretudo das periferias, tenha acesso a essa forma de lazer. Nesse viés, o geógrafo Milton Santos destaca que o espaço urbano brasileiro é marcado por desigualdades de acesso a bens e serviços. Consequentemente, muitos são privados do contato com o cinema, o que reforça a exclusão cultural e limita o exercício da cidadania.

Portanto, torna-se primordial intervir sobre esse cenário. Para tanto, o Ministério da Cultura, em parceria com estados e municípios, deve ampliar políticas de incentivo ao cinema nacional, por meio da redução de impostos e da criação de editais que fortaleçam produções independentes. Ademais, o Governo Federal precisa investir na interiorização das salas e em projetos itinerantes de cinema popular, levando sessões gratuitas às periferias e zonas rurais. Assim, será possível democratizar o acesso ao cinema, fortalecer a identidade cultural e reafirmar seu papel transformador.