ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 10/09/2025

Na obra literária “Quarto de despejo: Diário de uma favelada” de Carolina de Jesus, é apresentado o cotidiano de uma família que luta diariamente para sobreviver, assim, atividades de lazer como ir ao cinema estão fora de sua realidade. Nesse âmbito, analisando a sociedade atual, se percebe que a desigualdade do acesso à cultura se perpetua, dessa forma, torna-se necessário discutir sobre a democratização do acesso ao cinema no Brasil, uma vez que, os altos custos e a desigualdade na distribuição de salas de cinema são os principais agravantes da problemática.

Nesse contexto, na Constituição Federal de 1988, Art. 215 é dito que a o acesso à cultura é um direito que deve ser garantido a todos, no entanto, muitas famílias no país nunca tiveram a oportunidade de ir ao cinema, pois, com a desigualdade econômica e os altos custos das sessões de filmes, essa atividade cultural se torna exclusiva da elite, ferindo assim, o Art. 215 da Constituição. Desse modo, torna-se necessário a intervenção do Estado para a plena garantia de acesso ao entretenimento e cultura.

Ademais, uma das heranças da urbanização do Brasil, facilmente identificada atualmente, é a segregação socioespacial, onde, o espaço urbano se divide para as diferentes classes sociais, isolando cada uma delas. Nessa conjuntura, é fato que shoppings centers e cinemas se concentram em áreas urbanas, principalmente em áreas nobres, assim, esse distanciamento físico corrobora ainda mais para a segregação social da cultura. Logo, identifica-se a carência de espaços de lazer em periferias e a necessidade da reformulação do espaço para atender a essas demandas.

Em suma, a fim de democratizar o acesso ao cinema no Brasil, cabe ao Governo Federal em conjunto com as Prefeitura Municipais, a garantia do acesso ao cinema da população de classes baixas e de zonas periféricas, com o resgate de eventos tal quais os cinemas a céu aberto, em especial nos subúrbios, de forma a proporcionar lazer, entretenimento e cultura de forma gratuita e democrática. Apenas assim, será possível reverter o cenário enfrentado no livro de Carolina de Jesus.