ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 11/09/2025

Na década de 1950, a inauguração do cinema ao ar livre Drive-In, nos Estados Unidos, simbolizou a tentativa de popularizar essa forma de arte, aproximando-a de diferentes públicos. No Brasil, entretanto, o cinema ainda não se consolidou como um espaço democrático, visto que seu acesso continua restrito a uma parcela privilegiada da população. Essa realidade é marcada tanto pela desigualdade social quanto pela carência de investimentos públicos no setor cultural.

Em um primeiro plano, a exclusão econômica dificulta a ampliação da experiência cinematográfica no país. O preço elevado dos ingressos, somado ao custo do transporte até os grandes centros onde as salas estão localizadas, torna o acesso inviável para famílias de baixa renda. Esse cenário reforça a ideia do sociólogo Jessé Souza de que o Brasil possui uma “ralé estrutural”, composta por indivíduos constantemente privados dos bens simbólicos da sociedade, entre eles a cultura. Dessa forma, o cinema, enquanto ferramenta de lazer e crítica social, acaba reforçando desigualdades em vez de combatê-las.

Ademais, o cinema brasileiro sofre com a insuficiência de políticas de incentivo que promovam sua interiorização. Enquanto a televisão aberta e as plataformas de streaming alcançam milhões de domicílios, a sétima arte permanece concentrada em shoppings de grandes capitais. Tal quadro distancia os indivíduos da diversidade cultural que o cinema proporciona, prejudicando a formação crítica e cidadã da população. A obra Central do Brasil, de Walter Salles, que retrata a vida de personagens marginalizados, ilustra como a linguagem cinematográfica pode ser um instrumento de reflexão social — desde que acessível a todos.

Diante disso, medidas se fazem necessárias para democratizar o acesso ao cinema no Brasil. O Governo Federal, em parceria com secretarias municipais de cultura, deve implementar salas públicas de baixo custo em regiões periféricas e interioranas, utilizando recursos do Fundo Setorial do Audiovisual. Paralelamente, projetos educativos como “Cine Escola” precisam ser expandidos, garantindo que estudantes tenham contato regular com produções nacionais. Essas ações, quando efetivadas, contribuirão para transformar o cinema em um direito cultural de todos os brasileiros, e não em um privilégio de poucos.