ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 13/09/2025
Na obra Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore, a sétima arte é apresentada como instrumento de formação cultural e de integração social, visto que a sala de exibição torna-se espaço de convivência comunitária e aprendizado coletivo. Essa analogia evidencia o papel do cinema como meio de desenvolvimento humano. Entretanto, no Brasil, o acesso a essa manifestação artística ainda é restrito, devido à desigualdade socioeconômica e à concentração de salas em regiões específicas.
Em primeiro lugar, a limitação do contato da população com o cinema relaciona-se à ausência de formação cultural crítica. De acordo com Paulo Freire, filósofo da educação, a leitura do mundo precede a leitura da palavra, o que indica que a compreensão da realidade se constrói também por meio das linguagens artísticas. Contudo, o sistema educacional brasileiro pouco valoriza o cinema como recurso pedagógico, dificultando a construção de um olhar mais amplo e crítico sobre a sociedade.
Além disso, há um obstáculo de caráter estrutural. Segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine), cerca de 80% dos municípios brasileiros não possuem salas de exibição, o que reforça a concentração da oferta em capitais e grandes centros urbanos. Essa carência evidencia a ineficiência do poder público e do setor privado em garantir a democratização do acesso à sétima arte, sobretudo em regiões periféricas e rurais. Assim, a exclusão geográfica amplia desigualdades e priva milhões de cidadãos do direito à cultura, assegurado pela Constituição Federal de 1988.
Portanto, é necessário ampliar o acesso ao cinema no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação, deve implementar programas educacionais que utilizem o cinema como recurso didático interdisciplinar, por meio de mostras e debates nas escolas públicas, a fim de estimular a formação crítica dos estudantes. Simultaneamente, o Ministério da Cultura, em conjunto com prefeituras e empresas privadas, deve investir na criação de salas itinerantes e cineclubes comunitários, com ingressos gratuitos ou a preços populares, possibilitando que populações de áreas periféricas e interioranas usufruam desse direito. Assim, contribuindo para a construção de uma sociedade mais democrática e culturalmente rica.