ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 10/09/2025

Ailton Krenak em sua obra “o mito da sustentabilidade” defende que a sociedade prega discursos com soluções coletivas, mas que, na realidade, perpetua privilégios e exclusões. De forma análoga, o acesso ao cinema no Brasil, é freguentemente concebido como direito cultural assegurando a todos, embora permaneça restrito por diversas barreiras geográficas, econômicas e sociais. Nesse sentido, cabe apontar como propulsores do revés a má eficiência de políticas públicas e as barreiras econômicas.

A partir dessa breve contextualização, a má eficiência de políticas públicas sobressai como agravante da problemática. Sobre isso, Bauman desenvolveu o conceito “Instituição zumbi” segundo o qual algumas organizações mesmo que existam formalmente, já não exercem plenamente sua função social. Nesse contexto, o conceito pode ser aplicado ao tema, uma vez que, embora a Constituição Federal e outras leis existam e assegurem o direito à cultura, ainda são ineficientes, visto que muitas cidades do interior ainda não possuem seguer uma sala de exibição, já que o acesso ao cinema permanece concentrado nos grandes centros urbanos.

Ademais, a barreiras econômica é outro fator que dificulta o acesso a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Diante disso, a luz de Pierre Bourdieu, percebe-se que o acesso desigual aos bens sociais reproduz a desigualdade social. Na conjuntura atual, as classes populares, sem acesso a esse “Capital cultural” , ficam em desvantagem no desenvolvimento crítico e educacional. Então, para mitigar essa situação é preciso que o direito constitucional a cultur seja efetivado de maneira democrática.

Portanto, é essencial a atuação conjunta do Estado e da sociedade para superar os obstáculos. O Tribunal de Contas da União deve direcionar recursos, via Ministério da Cultura, a projetos de cinema itinerante e cineclubes comunitários, ampliando o acesso a regiões carentes. Paralelamente, cabe ao Congresso Nacional fortalecer políticas públicas culturais já existentes. Assim, será possível transformar o discurso de democratização em prática efetiva, evitando que se torne mero “mito”, como alerta Ailton Krenak.