ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/09/2025

Conforme afirmou o cineasta francês Jean-Luc Godard, “o cinema é a verdade a 24 quadros por segundo”. No Brasil, entretanto, a fruição dessa forma de arte ainda não é uma realidade plenamente acessível a todos, visto que barreiras socioeconômicas e estruturais dificultam sua democratização. Nesse sentido, a falta de equipamentos culturais e o alto custo dos ingressos representam obstáculos significativos ao exercício da cidadania cultural. Assim, é necessário refletir sobre como tais entraves comprometem o acesso da população ao cinema.

Segundo dados do IBGE (2019), apenas 10% dos municípios brasileiros possuem salas de cinema, estando a maioria delas concentrada em capitais e grandes centros urbanos. Essa disparidade evidencia a dificuldade da população de regiões periféricas e do interior em acessar esse espaço de lazer e cultura. Como consequência, a sétima arte, que poderia contribuir para a formação crítica e para o fortalecimento da identidade nacional, permanece restrita a uma parcela privilegiada da sociedade. Dessa forma, a desigualdade estrutural compromete a democratização do cinema.

Além disso, o mesmo levantamento do IBGE aponta que o preço médio do ingresso no Brasil representa, para grande parte da população, um custo elevado em comparação à renda mensal. Esse fator exclui indivíduos de classes sociais mais baixas, reforçando a elitização do acesso. Paralelamente, a ausência de políticas consistentes de incentivo ao audiovisual agrava a situação, pois limita a diversidade de produções nacionais exibidas. Portanto, o cinema deixa de cumprir plenamente seu papel social de difusão cultural e educativa.

Diante desse cenário, cabe ao Ministério da Cultura ampliar programas de incentivo ao audiovisual, promovendo a instalação de salas de cinema públicas em cidades carentes, por meio de parcerias com governos locais. Essa iniciativa, ao oferecer ingressos a preços populares e estimular a exibição de produções brasileiras, contribuirá para a valorização da cultura nacional. Desse modo, será possível reduzir desigualdades regionais e econômicas, tornando o cinema um espaço de acesso efetivamente democrático.