ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 11/09/2025
O cineasta francês Jean-Luc Godard afirmou que “a cultura é a regra e a arte é a exceção”. Nesse sentido, o cinema, como manifestação artística, possui papel fundamental na formação cultural e crítica da sociedade. No entanto, no Brasil, o acesso a esse recurso enfrenta obstáculos que comprometem sua democratização. Entre os principais entraves, destacam-se a desigualdade socioeconômica e a má distribuição das salas de exibição no território nacional.
Em primeiro lugar, observa-se que a disparidade de renda é um fator determinante para a exclusão cultural. De acordo com dados do IBGE de 2019, cerca de 40% dos brasileiros viviam com até um salário mínimo, realidade que dificulta o acesso a atividades de lazer pagas, como o cinema, em que ingressos chegam a representar uma parcela significativa do orçamento familiar. Assim, a elitização do acesso à sétima arte reforça a marginalização de parcelas mais vulneráveis da população, perpetuando desigualdades e limitando o direito à cultura.
Além disso, a concentração geográfica das salas de cinema agrava o problema. Segundo o IBGE, aproximadamente 80% desses estabelecimentos estão localizados nas regiões Sul e Sudeste, deixando Norte e Nordeste com baixa oferta. Essa má distribuição impede que milhões de brasileiros possam vivenciar experiências cinematográficas, reforçando um desequilíbrio cultural e regional que compromete a pluralidade de acesso. Dessa forma, a exclusão territorial soma-se à econômica, limitando ainda mais o alcance da produção audiovisual.
Portanto, é imprescindível a promoção da democratização do cinema no Brasil. Para tanto, o Ministério da Cultura deve desenvolver políticas de incentivo à abertura de salas em regiões menos assistidas, por meio de parcerias com prefeituras locais, a fim de ampliar o acesso da população.