ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 13/09/2025

Na obra O Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, evidencia-se o contraste entre o idealismo de um projeto de nação e a dura realidade de um país marcado pela desigualdade social e pela exclusão das camadas mais pobres do acesso às fontes de cultura.

A título de exemplificação, o sociólogo Pierre Bourdieu, em sua obra A Distinção, sustenta que apenas as garantias legais não bastam para assegurar que os indivíduos tenham acesso efetivo aos espaços de cultura — como cinemas, museus e teatros. Para Bourdieu, o acesso limitado das classes populares não se deve a uma questão de vontade, mas à ausência do mesmo capital cultural legitimado. Nesse sentido, as elites mantêm seu status ao transformar suas preferências em ’norma’, promovendo uma exclusão simbólica daqueles que não as compartilham.

Um grande marco na democratização do acesso ao cinema no Brasil foi a criação do Vale-Cultura, em 2012, que garantia ao trabalhador uma quantia destinada ao consumo cultural. Com isso, os indivíduos podiam frequentar cinemas e assistir a filmes tanto nacionais quanto estrangeiros, ampliando seu horizonte de possibilidades e contribuindo para a circulação da economia em suas regiões. Porém, é importante ressaltar que a ausência de políticas públicas nesse âmbito, aliada à desvalorização da cultura, gera barreiras para que os indivíduos acessem esses espaços e promovam a apropriação simbólica dos bens culturais, dificultando o exercício pleno da cidadania cultural.

Portanto, para reduzir a desigualdade no acesso ao cinema, é preciso que o poder público atue em parceria com a sociedade civil e o setor privado. O Ministério da Cultura, o Ministério da Educação e as secretarias estaduais e municipais devem ampliar programas como o Vale-Cultura, inserir educação cultural no currículo e apoiar eventos gratuitos; prefeituras, secretarias de fazenda, empresas e ONGs devem oferecer incentivos fiscais e financiar circuitos e salas comunitárias. Essas ações integradas promovem a apropriação simbólica dos bens culturais e asseguram a cidadania cultural.