ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 10/09/2025
A Constituição Federal de 1988 assegura aos cidadãos brasileiros o direito à cultura como patrimônio comum. No entanto, essa garantia não se concretiza de forma satisfatória, visto que o acesso a atividades recreativas, como o cinema, tornou-se fortemente elitizado. Além disso, a ausência de incentivo por parte do poder público contribui para a restrição cultural, comprometendo o exercício pleno da cidadania no país.
Em primeira análise, segundo a filósofa Hannah Arendt, a cultura constitui elemento essencial para a formação do espírito crítico do cidadão. Entretanto, a elitização do cinema torna o acesso a esse recurso cada vez mais restrito, sobretudo para indivíduos residentes em áreas rurais e periféricas. Nesse contexto, a inserção dessas classes sociais torna-se progressivamente inviável, o que limita suas vivências socioculturais e aprofunda as desigualdades já existentes no país.
Além disso, o Brasil possui uma herança histórica que tende a negligenciar as atividades de lazer, muitas vezes associando-as à desocupação e à vadiagem. Esse pensamento, enraizado culturalmente, contribuiu para que práticas artísticas e recreativas fossem vistas como secundárias diante das demandas econômicas do país. Como consequência, consolidou-se uma sociedade que frequentemente desvaloriza manifestações culturais coletivas. Nesse sentido, a ausência de políticas públicas eficazes e a permanência desses tabus reforçam a desvalorização social de práticas como o cinema, dificultando sua plena democratização.
Diante disso, o Ministério da Cultura, em conjunto com o Ministério da Educação, pode promover sessões educativas de cinema em instituições de ensino, com o intuito de garantir às crianças e aos jovens o acesso a conteúdos enriquecedores. Ademais, é pertinente a realização de exibições em espaços públicos, de modo a contemplar também adultos e idosos, possibilitando a todos o contato com a sétima arte. Assim, o Brasil caminhará para se tornar um país mais rico não apenas em capital econômico, mas também em capital cultural e conhecimento.