ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 11/09/2025
A visão de Georges Méliès, o mágico que via no cinema uma arte de contar histórias, diverge da crença pessimista de Lumière, um dos inventores da tecnologia. A trajetória da sétima arte no Brasil, por sua vez, reflete essa dualidade: de um lado, a popularidade como entretenimento, de outro, as barreiras que impedem a universalização da fruição. Nesse sentido, a inclusão no acesso ao cinema no país se mostra um desafio social e cultural, dada a centralização de salas e a exclusão de vastas parcelas da população.
Apesar de ser um importante meio de entretenimento e reflexão, o cinema no Brasil não chega a todos. Um dos fatores centrais para isso é o cenário de aglomeração de salas nas grandes cidades e em áreas de alta renda. O país, que já teve um número de salas significativo, tem hoje um quantitativo menor, com a maior parte delas em centros comerciais e em regiões privilegiadas. Outro obstáculo é o alto custo dos ingressos, que tornam a ida ao cinema um luxo para muitas famílias de baixa renda.
A exclusão de grande parte da população priva essas pessoas não só de lazer, mas de uma ferramenta crucial na formação de identidade e senso crítico. A falta de acesso ao cinema afeta a diversidade de perspectivas e vozes que compõem a cultura nacional. Desse modo, a democratização do cinema não é só questão de diversão, mas de equidade social. É vital que governo e iniciativa privada unam forças para mudar esse cenário e garantir que a arte esteja ao alcance de todos.
Para combater esse problema, é preciso um plano de ação amplo. O governo, em parceria com as secretarias de cultura, deve implementar incentivos para a construção e reforma de salas em áreas de baixa renda, periferias e cidades do interior, e criar projetos itinerantes. Isso pode ser financiado via editais e parcerias com o setor privado. Ademais, a Agência Nacional do Cinema e as redes de cinema devem promover preços diferenciados e sessões gratuitas para estudantes e famílias de baixa renda, para que o cinema cumpra seu papel social de inclusão e de emancipação cultural.