ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/09/2025

No Brasil, o acesso ao cinema exerce papel fundamental na formação cultural e crítica do cidadão, mas ainda enfrenta desigualdades. Em 2018, cerca de 39,9% da população vivia em municípios sem sala de cinema, segundo o IBGE. Além disso, pessoas negras ou pardas estão desproporcionalmente representadas entre as que não possuem equipamentos culturais: 44%, contra 34,8% de brancos.

Esses dados revelam que barreiras geográficas, sociais e econômicas impedem parcelas significativas da população de acessar a sétima arte. A distância até uma sala, o custo do ingresso e a carência de transporte público tornam o cinema um privilégio. Ademais, a universalização não depende apenas de quantidade de salas, mas também da valorização de vozes regionais e narrativas locais.

Nos últimos anos, avanços foram registrados. Em janeiro de 2025, o Brasil alcançou 3.509 salas de cinema, número recorde, superando o período pré-pandemia, segundo a Agência Gov. Houve expansão em cidades do interior e periferias, antes sem equipamentos culturais. Projetos itinerantes, como o Cinema Inflável e o Open Air Brasil, também levam sessões gratuitas e acessíveis a comunidades afastadas, com oficinas e recursos de acessibilidade.

Ainda assim, persistem desafios. Em 2024, o público de filmes brasileiros chegou a 12,6 milhões, aumento de 241% em relação a 2023 (Folha de S. Paulo). Apesar disso, o cinema nacional continua com participação inferior no mercado. A Lei da Cota de Tela, recentemente retomada, é importante, mas ainda não alcança todas as localidades.

Nesse sentido, é essencial articular medidas: ampliar políticas públicas de incentivo, com linhas de crédito do Fundo Setorial do Audiovisual; promover sessões populares de baixo custo; valorizar produções nacionais regionalizadas; e integrar escolas e bibliotecas a projetos de exibição.