ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 09/09/2025
“Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago, critica a tendência da sociedade de ignorar problemas coletivos. No Brasil, essa análise pode ser associada ao acesso ao cinema, que, apesar de ser uma das expressões artísticas mais relevantes para a formação cultural, ainda é restrito a parte da população. Com isso, configura-se um problema social, em virtude da desigualdade regional e da elitização econômica dessa forma de lazer.
Em primeiro lugar, a desigualdade regional limita o acesso. Segundo dados do IBGE, a maioria das salas de cinema está concentrada nas regiões Sul e Sudeste, o que marginaliza populações do Norte e do interior, que não dispõem da mesma infraestrutura cultural. Tal cenário reforça disparidades históricas, impedindo que a arte cinematográfica cumpra seu papel de difundir conhecimento e estimular reflexões coletivas.
Além disso, a elitização econômica representa outro entrave. O filósofo Pierre Bourdieu explica que o acesso à cultura é mediado pelo capital econômico e simbólico dos indivíduos. Nesse sentido, no Brasil, os altos preços dos ingressos e a falta de políticas de incentivo tornam o cinema inacessível para camadas sociais mais pobres, restringindo-o a grupos privilegiados e contrariando o princípio constitucional da cultura como direito de todos.
Portanto, é necessário intervir para democratizar o acesso ao cinema. Para isso, o Ministério da Cultura deve ampliar políticas públicas de incentivo, por meio da criação de programas de bilhetes populares e da instalação de salas de cinema em regiões carentes, a fim de garantir inclusão cultural. Paralelamente, parcerias com escolas devem ser promovidas para levar estudantes a exibições educativas. Dessa maneira, será possível superar a cegueira social denunciada por Saramago e tornar o cinema um direito efetivamente acessível.