ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 12/09/2025
No início do século XX, o filósofo alemão Walter Benjamin, em seu ensaio A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, destacou como o cinema se consolidou como importante veículo de difusão cultural e de construção coletiva de imaginários. No Brasil contemporâneo, essa arte continua desempenhando papel central para a formação crítica, cultural e social da população. Entretanto, apesar de sua relevância, o acesso ao cinema ainda não é plenamente democratizado no país, em razão de barreiras estruturais, sociais e econômicas.
Em primeiro lugar, nota-se que a concentração das salas de cinema em grandes centros urbanos representa uma limitação significativa. De acordo com dados da Agência Nacional do Cinema (ANCINE), mais da metade dos municípios brasileiros não possui sequer uma sala de exibição, o que restringe a vivência cultural a regiões mais desenvolvidas. Essa desigualdade espacial reforça o que o sociólogo Pierre Bourdieu denomina de “exclusão simbólica”, na medida em que parcela da população não tem contato com manifestações artísticas fundamentais para a construção de repertório cultural e senso crítico.
Além disso, o fator econômico também contribui para a elitização do acesso ao cinema. O preço elevado dos ingressos, somado aos custos de transporte e alimentação, torna a experiência inviável para famílias de baixa renda. Assim, o cinema, que deveria ser um espaço de lazer e inclusão, transforma-se em privilégio de poucos. Esse cenário perpetua desigualdades sociais históricas no Brasil, já apontadas por Darcy Ribeiro como fruto de um projeto de sociedade excludente, que restringe oportunidades de acesso à cultura.
Portanto, é necessário que medidas sejam implementadas para garantir a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Para isso, o Ministério da Cultura, em parceria com governos estaduais e municipais, deve ampliar projetos como o “Cinema na Praça”, levando exibições gratuitas a comunidades carentes, além de incentivar a criação de salas públicas em escolas e centros culturais, financiadas por editais de fomento. Dessa forma, será possível reduzir desigualdades e consolidar o cinema como um direito cultural acessível a todos.