ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 13/09/2025
De acordo com a Constituição Federal de 1988, todos os brasileiros têm direito à cultura e ao lazer. No entanto, esta realidade está distante de sua plena concretização, uma vez que a democratização do acesso ao cinema no Brasil ainda enfrenta barreiras estruturais e sociais. Nesse sentido, é fundamental investigar as razões do entrave a partir da negligência estatal e da inerte ação social.
Em primeira análise, é essencial entender que o poder público é responsável pela manutenção do entrave. Assim sendo, conforme a obra “O Cidadão de Papel”, do renomado jornalista e intelectual brasileiro Gilberto Dimenstein, os direitos são garantidos apenas na teoria, enquanto, na prática, a população mais vulnerável é negligenciada. Tal constatação se faz muito coerente na realidade brasileira, uma vez que o preço elevado dos ingressos, aliado à escassez de salas de cinema em regiões periféricas e cidades do interior, restringe o consumo cultural, pois a infraestrutura cultural ainda é concentrada nos grandes centros urbanos. Desse modo, é emergencial que o Estado promova ações no combate ao dilema.
Em segunda análise, observa-se que a configuração de uma sociedade inerte também catalisa este hostil cenário. Nesse viés, segundo a filósofa Djamila Ribeiro, a população tem um enorme potencial de resolução dos mais diversos problemas sociais, enquanto grupo coeso na luta por melhorias de suas condições. Porém, infelizmente, o que se observa é um ambiente em que muitos se distanciam egoisticamente e pouco contribuem, fazendo com que o problema persista, porque grande parte da sociedade naturaliza a exclusão cultural, valorizando apenas entretenimentos privados e individuais, em detrimento de iniciativas coletivas de acesso ao cinema e outras artes. Dessarte, é nítido que, sem uma conscientização coletiva, pouco será alterado para a mudança do quadro.
Portanto, comprova-se que a limitação da democratização do acesso ao cinema é uma chaga a muitos brasileiros. Para uma reversão do dilema, cabe ao Poder Executivo subsidiar políticas que ampliem salas em regiões periféricas e interioranas, a fim de reduzir desigualdades de acesso. Dessarte, em médio prazo, será possível a garantia de dignidade cultural a todos, como previsto na Carta Magna.