ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/09/2025

No Brasil, o acesso ao cinema ainda é marcado por desigualdades socioeconômicas. Apesar de ser uma forma de arte e lazer amplamente valorizada, o alto preço dos ingressos e a concentração de salas em grandes centros urbanos limitam o contato da população com essa experiência cultural. Nesse contexto, à luz das reflexões de Zygmunt Bauman sobre a modernidade líquida — na qual o consumo se torna um fator de exclusão social —, torna-se evidente a necessidade de discutir a democratização do cinema como ferramenta de inclusão e cidadania.

O sociólogo polonês afirma que a sociedade contemporânea é caracterizada pela fluidez e pela desigualdade no acesso a bens e serviços. Isso se aplica ao cinema, já que, em vez de ser um espaço acessível a todos, ele muitas vezes se restringe a um público capaz de arcar com os custos. Além disso, a lógica mercadológica privilegia blockbusters de grandes estúdios, em detrimento de produções nacionais ou independentes, o que limita a pluralidade cultural disponível ao público.

Um exemplo representativo dessa realidade é o filme brasileiro “Que horas ela volta?” (2015), de Anna Muylaert. A obra denuncia as desigualdades de classe no país, ao mostrar como a empregada doméstica e sua filha enfrentam barreiras sociais invisíveis para os patrões. A repercussão internacional do longa comprova o potencial transformador do cinema nacional, mas também expõe a contradição: muitos brasileiros não chegam a ter contato com obras desse tipo, justamente por causa da falta de políticas públicas que incentivem sua circulação em escolas, praças e comunidades.

Portanto, a democratização do acesso ao cinema no Brasil exige medidas que superem a lógica puramente mercadológica. É fundamental que o Estado, em parceria com empresas privadas, amplie projetos de exibição gratuita ou a baixo custo em comunidades periféricas, bem como incentive a produção e a difusão do cinema nacional. Dessa forma, o cinema poderá cumprir sua função social de promover reflexão, identidade cultural e inclusão, deixando de ser um privilégio para se tornar um direito acessível a todos.