ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 11/09/2025
No romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos, a ausência de acesso de Fabiano e sua família a direitos básicos, como educação e lazer, simboliza a exclusão social que ainda marca parte da população brasileira. Tal realidade dialoga com a dificuldade de democratização do acesso ao cinema no país, visto que, apesar de sua relevância cultural, política e social, ele permanece restrito a determinados grupos. Esse cenário ocorre, sobretudo, em razão da desigualdade socioeconômica e da concentração de salas em áreas privilegiadas, o que compromete o pleno exercício da cidadania.
Ademais, observa-se a concentração geográfica das salas de exibição. Dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) revelam que a maior parte delas se encontra em regiões metropolitanas e em shopping centers, distantes de periferias e cidades pequenas. Dessa forma, indivíduos residentes em áreas afastadas não usufruem do cinema como espaço de lazer e educação, o que perpetua um ciclo de exclusão cultural. Esse problema reforça o pensamento do geógrafo Milton Santos, para quem o território é marcado por desigualdades de acesso aos bens sociais.
Portanto, medidas são necessárias para enfrentar a questão. O Ministério da Cultura, em parceria com governos estaduais, deve criar um programa de incentivo fiscal para empresas que abram salas populares em regiões periféricas e cidades interioranas, a fim de descentralizar o acesso. Além disso, é essencial que o poder público, em conjunto com escolas públicas, promova projetos de cineclubes gratuitos, garantindo transporte e mediação pedagógica, para integrar jovens ao universo cinematográfico. Tais ações possibilitarão não apenas a difusão da cultura, mas também a formação de cidadãos críticos. Assim, o Brasil poderá superar o cenário retratado por Graciliano Ramos e assegurar, de fato, a democratização do acesso ao cinema.