ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 13/09/2025
Diante da persistência da dificuldade de acesso ao cinema no Brasil, é notável a limitação cultural e social que essa realidade impõe. Nesse sentido, em virtude da concentração das salas em grandes centros urbanos e do alto custo dos ingressos, surge um problema que compromete o direito à cultura e à democratização do lazer.
Em primeiro plano, cabe ressaltar a concentração das salas de cinema em regiões centrais e mais desenvolvidas. De acordo com o geógrafo Milton Santos, o espaço geográfico reflete as desigualdades sociais, já que os recursos não são distribuídos de forma equitativa. Sob essa lógica, moradores de periferias e cidades do interior ficam à margem do acesso ao cinema, pois a distância e a ausência de infraestrutura dificultam sua inserção em manifestações culturais. Por conseguinte, a democratização do cinema é limitada pela própria lógica de exclusão espacial brasileira.
Ademais, é importante salientar o alto custo dos ingressos como um obstáculo significativo ao acesso popular. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, a cultura funciona como um capital simbólico, que pode reforçar desigualdades sociais. Sob esse viés, quando os preços de ingresso, transporte e alimentação são elevados, as camadas mais pobres da população ficam excluídas dessa forma de lazer, enquanto apenas as elites mantêm acesso frequente a produções cinematográficas. Tal consequência intensifica a desigualdade cultural, dificultando o contato de grande parte dos brasileiros com obras artísticas relevantes.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, o Estado deve ampliar investimentos em programas culturais que levem salas de cinema a cidades menores e, paralelamente, reduzir o valor dos ingressos por meio de subsídios. Além disso, escolas públicas podem organizar exibições gratuitas em espaços comunitários. Desse modo, será possível democratizar o acesso ao cinema e promover maior inclusão cultural no Brasil.