ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 12/09/2025
O cinema, enquanto arte e meio de reflexão social, é fundamental para a formação cultural e crítica da sociedade brasileira. Entretanto, seu acesso ainda é desigual, contrariando o artigo 215 da Constituição, que garante a todos o direito à cultura. Dados da Agência Nacional do Cinema (ANCINE) revelam a concentração de salas no Sul e Sudeste, deixando Norte e Nordeste com pouca oferta e perpetuando desigualdades históricas. Essa realidade confirma a análise de Pierre Bourdieu sobre o capital cultural, que, quando restrito, aprofunda desigualdades sociais. Além disso, os altos preços dos ingressos e a localização das salas em grandes shoppings dificultam o acesso das populações periféricas, tornando o cinema um privilégio. Em contraste, iniciativas como o projeto “Cine Mais Cultura”, do Ministério da Cultura, levaram exibições gratuitas a cidades sem cinemas, comprovando que ações descentralizadas aproximam a sétima arte do público. Obras nacionais, como Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, têm potencial de promover debates sociais relevantes, mas sua distribuição limitada frente às franquias estrangeiras confirma a crítica de Theodor Adorno à indústria cultural, na qual a lógica do lucro reduz a diversidade artística. Paralelamente, plataformas de streaming podem reduzir barreiras geográficas, mas a exclusão digital ameaça substituir a exclusão presencial caso o acesso à internet de qualidade não seja garantido. Diante desse quadro, é essencial unir esforços públicos e privados para valorizar a produção nacional e assegurar a inclusão cultural. Portanto, o governo federal deve retomar projetos itinerantes e ampliar editais de fomento, por meio de parcerias com escolas e cineclubes, a fim de oferecer exibições gratuitas e formação crítica, fortalecendo a cidadania e reduzindo desigualdades. Simultaneamente, empresas privadas e plataformas de streaming devem oferecer preços acessíveis e ampliar o catálogo de produções nacionais para assegurar representatividade e diversidade artística. Dessa forma, democratizar o cinema promoverá inclusão social, pensamento crítico e identidade cultural no Brasil.