ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/09/2025

Segundo o filósofo David Hume, a arte é capaz de sensibilizar o ser humano e levá-lo a refletir sobre a realidade. Nesse contexto, o cinema, enquanto manifestação artística, não se limita ao entretenimento: ele educa, promove a empatia e incentiva a convivência social. No Brasil, entretanto, esse recurso ainda é de difícil acesso para boa parte da população, já que as salas de exibição se concentram em regiões centrais e o preço dos ingressos é elevado. Tal cenário contraria o direito constitucional de acesso à cultura e exige ações efetivas de democratização.

Do ponto de vista sociocultural, o historiador Johan Huizinga, ao afirmar que o homem é um “homo ludens”, destaca a importância das experiências lúdicas para o desenvolvimento humano. O cinema representa exatamente esse espaço de lazer e de troca coletiva de sentidos, contribuindo para a formação de identidades. No entanto, quando o acesso é restrito, reforça-se a exclusão cultural e priva-se parte da sociedade de um instrumento de reflexão e cidadania. Portanto, é necessário descentralizar as salas de exibição e promover mostras itinerantes, de modo a incluir comunidades periféricas e cidades pequenas.

Além do aspecto social, existe o fator jurídico. O artigo 215 da Constituição Federal assegura a todos o pleno exercício dos direitos culturais, mas dados da ANCINE indicam que mais de 90% das salas estão concentradas em cidades de médio e grande porte. Ademais, o alto valor dos ingressos dificulta a ida ao cinema por famílias de baixa renda. Essa situação reforça desigualdades e impede que o cinema cumpra sua função de bem cultural acessível a todos.