ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 09/09/2025
Segundo a série sul-coreana “Pousando no Amor”, o acesso a cultura pode ser uma separação de mundos, mostrando realidades paralelas entre o Norte e o Sul da Coreia. Na série, uma empresária cai acidentalmente em território norte-coreano e se depara com uma sociedade onde o entretenimento é restrito e controlado. A diferença entre os dois países destaca como o acesso a arte pode ser um instrumento de liberdade, identidade e inclusão. No Brasil, por mais que o cinema seja uma das expressões, sua entrada ainda é limitada por barreiras econômicas e até geográficas, nos levando a dois âmbitos: a elitização do consumo cultural e a ausência de políticas públicas eficazes para a descentralização do audiovisual.
Em primeira análise, é importante ressaltar que o cinema no território brasileiro ainda é um privilégio concentrado nas áreas urbanas e em classes sociais mais altas. Segundo dados da Agência Nacional do Cinema (ANCINE), cerca de 70% dos municípios não possuem salas de exibição. Isso significa que milhões de habitantes estão excluídos do acesso regular, seja por falta de infraestrutura ou por preços inacessíveis.
Ademais, a ausência de políticas públicas para o apoio e a distribuição agrava esse cenário. Embora existam iniciativas como o Programa Cinema Perto de Você, elas não têm alcance suficiente para transformar estruturalmente. Além disso, o domínio das grandes distribuidoras internacionais nas salas comerciais dificulta a valorização da produção, especialmente nas periferias e regiões Norte e Nordeste e a nação brasileira precisa reconhecer esse potencial como ferramenta de transformação social.
Em suma, para atenuar essas situações, é necessário que o Estado amplie investimentos em políticas culturais descentralizadas. A criação de salas públicas em regiões carentes, a redução de impostos sobre ingressos e a valorização do cinema nacional nas escolas são atos fundamentais. Além disso, parcerias com plataformas digitais podem democratizar o acesso ao audiovisual, levando produções brasileiras a públicos diversos. A cultura não pode ser um privilégio, mas sim um direito garantido a todos.