ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 12/09/2025
Segundo o filme brasileiro “Que Horas Ela Volta?”, dirigido por Anna Muylaert, o acesso à cultura é um marcador de classe que revela as barreiras invisíveis entre os que podem ocupar espaços simbólicos e os que são constantemente excluídos deles. Na obra, a personagem Jéssica, filha de uma empregada doméstica, desafia os limites para reivindicar seu lugar na casa e, simbolicamente, na sociedade. O filme mostra como o acesso à arte é negado em grande parte da população, reforçando desigualdades. No Brasil, o cinema, enquanto expressão cultural e ferramenta de formação crítica, ainda é um espaço restrito, tornando uma segregação cultural imposta pela lógica econômica e uma invisibilidade de produção regional.
Em primeiro plano, é importante destacar que o preço dos ingressos e a localização das salas de cinema dificultam o acesso da população. Dado a pesquisa da Datafolha, mais de 60% dos brasileiros afirmam que o valor do ingresso é uma das principais barreiras para frequentar. Além disso, a maioria das salas está concentrada em áreas centrais ou shoppings, o que exclui zonas rurais e pode transformar em uma elitização o que deveria ser um direito. Isso significa que possue pouca visibilidade e afeta o fortalecimento da identidade.
Em segundo plano, é necessário considerar o papel da educação na formação de público. A ausência de políticas educacionais que incentivem o consumo crítico de audiovisual nas escolas contribui para o distanciamento da população em relação à linguagem cinematográfica. Sem estímulo desde cedo, ele deixa de ser visto como ferramenta de aprendizado e passa a ser encarado apenas como entretenimento. A formação de público é essencial para garantir que seja transformador.
Em suma, é fundamental que o Estado implemente políticas públicas voltadas à inclusão cultural. A criação de salas em regiões periféricas, a oferta de ingressos gratuitos, e o fortalecimento de editais para produções regionais são medidas urgentes, como também a inserção como prática pedagógica nas escolas pode formar novos públicos e ampliar o repertório cultural dos estudantes.