ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 13/09/2025

No clássico filme Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore, a sétima arte é retratada como elemento central de convivência e formação cultural. De maneira semelhante, o cinema brasileiro também possui a função de promover lazer, educação e identidade nacional. Contudo, o acesso a esse recurso ainda é restrito a determinados grupos sociais, devido a barreiras econômicas, geográficas e estruturais. Essa realidade contraria o princípio constitucional da cultura como direito de todos e revela a urgência da democratização do cinema no Brasil.

Em primeiro lugar, a desigualdade socioeconômica é fator limitante. De acordo com dados da Agência Nacional do Cinema, o preço médio do ingresso ultrapassa o valor de uma refeição básica, tornando-se inviável para famílias de baixa renda. Assim, o cinema acaba restrito às classes médias e altas, enquanto parte significativa da população permanece excluída de experiências artísticas essenciais ao desenvolvimento crítico.

Além disso, a maioria dos complexos está nos grandes centros urbanos, especialmente em shoppings das capitais. Já nas cidades do interior e em regiões periféricas, a oferta é escassa ou inexistente, o que reforça a desigualdade territorial. Grande parte das salas prioriza filmes estrangeiros, sobretudo de Hollywood, em detrimento das produções nacionais. Isso compromete a valorização da identidade cultural brasileira e reduz o contato da população com narrativas próprias. Iniciativas como mostras populares e cotas de exibição são eficazes, mas ainda insuficientes diante do monopólio do mercado.

Portanto, medidas concretas são necessárias. O Estado, em parceria com a iniciativa privada, deve subsidiar ingressos para famílias de baixa renda e investir em projetos de cinemas itinerantes em regiões afastadas. Ademais, a ampliação de editais de incentivo e a reserva de espaço para produções nacionais nas salas comerciais diversificariam o repertório cultural oferecido.

Assim, será possível transformar o cinema em um bem verdadeiramente coletivo, permitindo que todos os brasileiros, independentemente de classe ou local de origem, vivenciem o poder da sétima arte.