ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 12/09/2025
O cinema, além de expressão artística, constitui um importante instrumento de formação cultural e social. No entanto, no Brasil, o acesso à sétima arte ainda é restrito a determinados grupos, evidenciando um cenário de desigualdade cultural. A democratização do acesso ao cinema, portanto, revela-se um tema central para a consolidação da cidadania e da diversidade cultural no país, já que muitos brasileiros permanecem excluídos dessa experiência.
De acordo com o IBGE, cerca de 39,9% da população brasileira vive em municípios sem nenhuma sala de cinema, e na região Norte mais de 80% dos habitantes precisam viajar mais de uma hora para alcançar a sala mais próxima. Esses números demonstram que as barreiras de acesso não se limitam ao preço do ingresso, mas estão também na distribuição geográfica e na falta de políticas públicas voltadas ao interior e às periferias urbanas. Assim, a ausência de infraestrutura cultural reforça a desigualdade já existente e impede o cinema de cumprir plenamente sua função social.
O filósofo francês Pierre Bourdieu argumenta que a posse de capital cultural é determinante para a participação dos indivíduos em práticas culturais. Esse pensamento se confirma no Brasil, onde o cinema nacional é mais visto por grupos de maior renda e escolaridade: 31% da classe AB, contra apenas 12% da classe DE, segundo o Jornal do Brasil (2021). Embora em 2024 as salas de cinema tenham recebido 121 milhões de espectadores, com expansão estimulada por políticas de descentralização do audiovisual, os índices de acesso ainda revelam uma forte ligação entre desigualdade social e consumo cultural.
Dessa forma, a democratização do cinema brasileiro depende de medidas concretas que aproximem a população desse bem cultural. Ações como a Lei da Cota de Tela, a ampliação de festivais gratuitos e projetos itinerantes, além da criação de incentivos fiscais para ingressos populares, podem reduzir desigualdades regionais e sociais. Somente com a associação entre Estado, sociedade civil e setor privado será possível assegurar que o cinema deixe de ser privilégio e se torne, de fato, um direito acessível a todos, fortalecendo a identidade cultural e a pluralidade brasileira.