ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/09/2025

O filme Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles, expõe a exclusão social das periferias e mostra como o cinema pode dar voz a realidades silenciadas. Reconhecida mundialmente, a obra revela o potencial do audiovisual como espaço de reflexão e cultura. No Brasil, porém, esse direito previsto na Constituição de 1988 ainda não se concretiza. Nesse contexto, dois obstáculos se destacam: a desigualdade regional no acesso às salas e a falta de políticas públicas eficazes.

O primeiro desafio é a concentração das salas de cinema nos grandes centros, enquanto cidades menores ficam sem acesso. Essa desigualdade restringe a cultura a uma parcela privilegiada e reforça o ciclo de exclusão retratado em Cidade de Deus, no qual comunidades periféricas permanecem afastadas de espaços de lazer e de formação crítica.

Outro impasse é a omissão estatal. Apenas 0,2% do orçamento público destina-se à cultura, o que inviabiliza iniciativas de interiorização, como cinemas itinerantes ou parcerias educacionais. Assim, a população recorre a serviços privados, como o streaming, que não substituem a experiência coletiva da sala de cinema, tornando ineficaz o direito constitucional à cultura.

Portanto, se Cidade de Deus revelou as desigualdades brasileiras, cabe exigir a efetivação da Constituição de 1988. Para isso, o Ministério da Cultura, em cooperação com estados e municípios, deve criar salas públicas e projetos de cinema itinerante, priorizando regiões carentes, com execução contínua e verba pública já prevista para a cultura. Tais ações visam democratizar o audiovisual e reduzir desigualdades sociais.