ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/09/2025

O clássico italiano “Cinema Paradiso”, do cineasta Giuseppe Tornatore, demonstra que a sétima arte não é apenas entretenimento para o espectador, mas também uma forma de aprender sobre a vida e desenvolver sensibilidade, emoções e cultura. Logo, tem um grande poder de transformação. Apesar de ser uma paixão para muitos, a maioria dos brasileiros não tem acesso às salas de exibição devido aos valores elevados dos ingressos e ao insuficiente número de cinemas no país, fatores que comprometem a democratização artística.

Nesse contexto, pode-se observar que, cada vez mais, o hábito de assistir a filmes nas telonas vem sendo substituído por ver essas atrações em TVs, smartphones e computadores, o que é facilitado pelos serviços de “streaming”. Simultaneamente, crises econômicas têm levado o brasileiro a priorizar gastos com alimentação, habitação e transporte, em detrimento às atividades de lazer. Por essas razões, faz-se necessário criar mecanismos para reduzir os preços dos ingressos.

Sob esse viés, é perceptível considerar que a falta de cinemas no Brasil é outro agravante, pois, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as salas de exibição se concentram em 10% dos municípios do país. Portanto, é fulcral a construção de mais espaços destinados à exibição de filmes, além de iniciativas como o “CineB” e o “Festival de Cinema de Vitória Itinerante”, que levam curtas e longas-metragens para serem apresentados em parques, praças e até em praias, de forma gratuita.

Diante desse cenário, é crucial que o governo, através do Ministério da Cultura, em parceria com empresas privadas e públicas, adote políticas de subsídio para tornar os ingressos mais acessíveis, com sessões a preços populares, principalmente para estudantes e famílias de baixa renda, a fim de atenuar a elitização desse lazer. Nesse prisma, outras medidas que devem ser tomadas por esse órgão é a ampliação das salas de projeção cinematográficas, especialmente em regiões periféricas e cidades pequenas ou distantes de centros urbanos, e o incentivo de projetos de cinema itinerante em diferentes regiões. Se essas ações forem efetivadas, haverá uma maior democratização da cultura no Brasil.