ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 10/09/2025

No filme “Cinema Paradiso”, o diretor Giuseppe Tornatore retrata o poder do cinema como espaço de lazer, arte e transformação social. No entanto, no Brasil contemporâneo, observa-se que grande parte da população ainda não tem acesso efetivo a essa forma cultural. Essa problemática decorre tanto de desigualdades socioeconômicas quanto da concentração das salas de exibição em grandes centros urbanos. Nesse sentido, torna-se imprescindível pensar em medidas que garantam a democratização do acesso ao cinema no país.

Em primeiro lugar, é necessário destacar a dimensão social e cultural dessa linguagem artística. De acordo com o filósofo Walter Benjamin, a arte, quando reproduzida, amplia sua capacidade de atingir diferentes camadas da sociedade. No entanto, o cinema brasileiro enfrenta um paradoxo: enquanto se afirma como indústria cultural, muitas vezes se mantém inacessível às populações periféricas. Isso perpetua a exclusão cultural e dificulta a formação crítica de cidadãos.

Além disso, a questão econômica é um fator que aprofunda essa desigualdade. O alto custo do ingresso, associado à concentração das salas em shopping centers, restringe o acesso da população de baixa renda. Dados da Agência Nacional do Cinema (ANCINE) apontam que a maior parte das salas está localizada em regiões de maior poder aquisitivo. Assim, o cinema, em vez de cumprir um papel de inclusão cultural, reforça as barreiras sociais já existentes.

Portanto, para democratizar o acesso ao cinema no Brasil, é fundamental a ação conjunta do Estado e da iniciativa privada. O poder público deve incentivar a criação de salas populares em bairros periféricos, além de apoiar projetos itinerantes que levem o cinema a comunidades afastadas. Paralelamente, parcerias com empresas podem viabilizar políticas de meia-entrada social e subsídios aos ingressos. Dessa forma, será possível garantir que o cinema cumpra seu papel de instrumento de lazer, educação e cidadania.