ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 12/09/2025
Na Constituição Federal de 1988, o Artigo 215 estabelece que é dever do Estado garantir a todos o livre acesso às fontes culturais brasileiras. Entretanto, na atualidade o Brasil enfrenta desafios para a democratização do acesso ao cinema, decorrente muitas vezes da disparidade socioeconômica e da falta de incentivo governamental. Como resultado, grande parte da população encontra-se em situação de exclusão social e o país tem a cultura desvalorizada.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que no país um dos principais motivos para essa desproporção de acesso é a desigualdade social. Segundo pesquisas do IBGE, menos de 30% dos municípios brasileiros possuem uma sala de cinema. Ademais, a ANCINE mostra que grande parte dessas salas se concentram nas regiões metropolitanas. Por certo, essa ausência gera no povo o sentimento de não pertencimento, o que pode desencadear futuras complicações, como doenças psicológicas, já que a arte e o lazer proporcionam bem-estar à população. Sendo assim, enquanto o Governo não agir de maneira incisiva, tal problema continuará.
Além disso, a falta de incentivo monetário do Estado provoca a desvalorização da cultura nacional. Em 1928, Oswald de Andrade promoveu o Manifesto Antropófago, que visava uma absorção crítica de influências estrangeiras para maior fortalecimento da identidade artística local. Em outras palavras, levando em consideração o cenário atual, em que há indiferença com a identidade cultural do país, vindouro do alheamento de apoio financeiro e artístico, muitas das ideias de Andrade ainda não se cumpriram, tampouco o artigo 215.
Portanto, para que haja a democratização do acesso ao cinema, problemas como a desigualdade social e o desamparo econômico precisam ser solucionados. Diante disso, o Ministério da Cultura deve promover a criação de salas públicas de cinema, por meio de investimentos no lazer público. Fazendo assim, as produções cinematográficas chegarem a todos de maneira igualitária.